back
BACK!
– Ai, droga! – Ela exclamou. Ele despertou por causa do barulho que a mala dela fez ao cair da cama para o chão. Piscou algumas vezes devido a recente claridade nos olhos, a luz do quarto estava acesa, e virou-se para o outro lado. O que seus braços procuravam já estava de pé, quase pronta. – O que você tá fazendo? – Ele questionou sem entender a roupa de frio naquele corpo que tanto ele já amou e a mala que ela tentava puxar para fora do quarto. – Fazendo a mala. – Respondeu como se fosse a coisa mais óbvia e idiota do mundo. Os olhos dele, tão incrédulos, pensaram ainda estar sonhando. No relógio, piscavam os números 02:06. Ele esfregou o rosto com as duas mãos e ela já não estava mais ali. Como que por instinto, saiu correndo atrás dela, que já procurava as chaves da porta entre os dois pequenos vasos de violetas sobre a mesa. Ele estava um pouco tonto e seu peito nu sentiu o vento entrar pela janela. Lhe pareceu que a discussão de algumas horas atrás não fora apenas… uma discussão. – MAS QUE DROGA! CADÊ AS CHAVES? – E seu humor também não havia mudado. Ele ainda estava estático, ouvindo em sua mente tudo o que ela havia dito. Então, não foi apenas uma, mas duas. Duas lágrimas escorreram mornas e doloridas pelo rosto dele. Quando ela se virou para ir procurar embaixo do abajur no quarto, deu de cara com aquelas linhas que iluminaram os olhos cor de mel do rapaz. – Tsc. Beto, pára. – E sua voz estava mais tranquila do que ele esperava que estivesse. – Você não sabe o que tá fazendo, Ana. Não sabe… – A voz dele falhou. – Sei. E não vou repetir o que você também já sabe. – Claro que ela se referia a todas as balas lançadas em cima dele por ela mesma. Ele sabia que nada estava sendo fácil para os dois, mas ele não queria desistir. Ela fechou os olhos, foi alguma reação dentro dela que não se expôs. E abriu-os novamente. Olhou para o chão e encontrou o molho de chaves. Ele ainda estava parado. A garota abaixou-se, pegou as chaves, puxou a mala e foi até a porta. Abriu-a, jogou as chaves em cima dele, que sequer reagiu, e passou para fora. Olhou para ele de uma maneira, que se demonstrou um tanto sincera, e respirou fundo. – Beto, sabe o pôr-do-sol? Bom, ele se pôs pra gente. Você vai dormir agora, amanhã você vai acordar e o Sol vai ter nascido de novo. Mas, a partir de amanhã, eu vou ser a Lua. Você… continuará sendo o Sol. – Ela deu de ombros e BACK! Na mesma força e intensidade que a porta se fechou, o coração dele bateu, ambos ao mesmo tempo. E como o Sol e a Lua, eles jamais se veriam de novo.
[...]
Dois meses se passaram. A mala que estava pronta para ir embora naquele dia, hoje estava pronta para voltar. Escolhas erradas, momentos errados, pessoas certas. BACK! Ela largou com força a mala no chão. BACK! O coração dele reagiu. E quando ele foi abrir a porta, ficou estático, sentindo tudo arranhar por dentro. Eles ficaram alguns minutos se olhando. As lágrimas que ele havia jogado fora naquele dia, hoje percorriam o rosto dela. – Beto, sabe o eclipse?
E se agora ela fosse sincera? Contasse tudo sobre seu medo…
Dissesse o quanto ela o ama e o quanto ela odeia ter feito o que fez…
Ela não quis desistir. E ele?
Add comment 16 16UTC Dezembro 16UTC 2009
empobrecer
Seu coração está tão razo quanto o último prato de comida que lhe foi jogado. Seus sentimentos estão tão frágeis quanto a finura de seus braços. Suas costelas lhe parecem como piano que um dia sonhou tocar. Seus pensamentos estão tão vazios quanto o vento que lhe ousa soprar. Não consegue andar direito, nem suporta o Sol que ilumina e extrai o suor de sua pele, os cabelos perderam a forma . . . Seus dedos estão tão sensíveis . . . Os sonhos não existem mais.
Mas ainda se lembra daquilo que pode matar sua sede, do que pode fazer com que tenha outra vez uma vida que jamais teve. Seu desejo já não é apenas vontade, tornou-se necessidade. Não quer voltar a lutar para sobreviver, quer poder respirar o que a vida que seu Deus criou pode lhe dar. Quer poder sonhar de novo. Quer tornar-se realidade. Quer, no final do dia, voltar para casa e saber que sua família está a espera de seu abraço e um aconchego.
Para viver, uma pessoa precisa de amor e dignidade. Assim se sentirá no direito de lutar por todo o resto.
Add comment 17 17UTC Novembro 17UTC 2009
retrospectiva
Vejo novamente as mesmas folhas laranjas caindo ao chão. Sinto a mesma brisa levando-as de um lado a outro. Ouço o mesmo som das árvores. É a mesma natureza que se renova. As mesmas palavras que já foram ditas. Uma foto em minhas mãos, uma realidade a minha frente. Estou revivendo memórias que não passaram de sonhos. A retrospectiva se remonta feito um quebra-cabeças inacabado, incompleto. Entre as peças, uma jamais foi encontrada. Está em algum lugar de um futuro que desconheço. Um futuro que um dia se tornará lembrança, apenas uma retrospectiva num pensamento passageiro.
Add comment 11 11UTC Novembro 11UTC 2009
# 01
De nada adianta crescer se não se sabe o que é evoluir.
Add comment 30 30UTC Outubro 30UTC 2009
esperança
Palavras são tão inúteis. Pessoas são tão complexas. Imagens são tão desfocadas. Nada mais é a realidade. Nada mais vale. Teu ato é jogado acaso. Teu sucesso é julgado como sorte. Teu sorriso é comparado ao falso. Desconheço a palavra confiança. Destrocei toda a linha da esperança. Por vezes, ela cruzava o caminho da minha vida, notei que ela se costurava como aquele velho casaco de lã que ganhei da minha avó. Se eu puxasse, mesmo que com cuidado, o fim dessa linha, toda a blusa se desfaria. Cada ponto, minuciosamente entrelaçado ao outro, seria desenrolado.
É tão fácil acabar com a esperança de alguém…
Add comment 26 26UTC Outubro 26UTC 2009
de um tempo passado
Se eu pudesse e conseguisse utilizar palavras para explicar que tipos de sentimentos percorreram pelo meu corpo inteiro até finalmente baterem no meu coração e se iluminarem enquanto escorriam pelos meus olhos, eu acabaria aqui com a carreira de todos os poetas.
Mas não, eu não conseguia fazer isso, não sabia como fazer. O único pensamento que passou pela minha cabeça e que me fez sentir certeza pela primeira vez, é que eu não sabia explicar, eu só sabia sentir.
Os sentimentos, tantos deles, se emaranhavam entre meu olhar e meu coração, se entrelaçavam entre meus dedos que se pressionavam um contra os outros, numa tentativa de centralizar a força que tudo aquilo despertava em mim.
Eu me senti tonta e esqueci para que lado a gravidade me puxava. Mas assim que ela percebeu que minhas pernas cederam ao desequilíbrio e se deixaram ser levadas, a gravidade cuidou do resto e me abraçou ao sentir meu corpo tocar o chão.
De repente, eu queria apenas sentir o calor do Sol tocar minha pele, sentir a luz da Lua iluminar meu caminho, sentir a brisa bagunçar de leve meus cabelos, jogando as folhas de outono diretamente contra meu rosto. Eu queria sentir, como queria… Mas meu corpo parecia não existir mais.
Gostaria de me lembrar daquele movimento tão humano, de me fazer respirar quase inconscientemente. Não senti o ar a minha volta. Eu não senti nada. Esqueci de tudo. Só não me esqueci do teu rosto, tão belo e tão puro quanto Deus lhe permitiu ser. Não me esqueci do teu sorriso, tão claro e tão espontâneo que parecia ter a dose certa da inocência de uma criança. Não me esqueci do teu olhar, tão expressivo e tão sincero que me fazia acreditar sem que você precisasse me dizer. Não me esqueci do teu toque, tão macio e tão firme que eu não precisava de mais nada para me sentir segura. Não me esqueci de nada sobre você. Cada mínimo detalhe, cada simples mudança de expressão no olhar, tudo se gravou em mim, não fisicamente nem como um sentimento, mas como se fosse uma parte de mim.
Só que agora, você é apenas um pensamento, apenas uma presença de um tempo passado. Uma pincelada colorida no meu sorriso.
Eu não tenho mais você. Não vou mais ouvir sua voz. Não vou mais te abraçar. Nunca mais vou estar segura outra vez. Não vou mais sentir o calor estremecer meu corpo, não vou mais te contar sobre os meus segredos, meus sonhos. Não vou mais encontrar seu olhar. Não vou mais ver a Lua. Não vou mais sentir o sol.
Agora, só posso te trazer rosas. Brancas e vermelhas. Você sempre me dizia que gostava do contraste entre as cores delas. Bobagem… Você sabia que minhas flores preferidas eram as rosas brancas.
Vou esperar até que você possa me buscar e me levar pra perto de você. Vou esperar até que a distância entre você e eu deixe de ser intocável. Enquanto isso, aqueles sentimentos que me dominam e me fazem esquecer de quem sou, vão continuar fazendo meu corpo se desencontrar com o equilíbrio, vão deixar a gravidade me abraçar e vão me fazer rever o filme de quando eu tinha uma vida e uma história para contar.
Uma história de um amor que me consumiu por inteira, que me mostrou a maior força que pode existir, em qualquer lugar que digam existir. Uma história que me fez viver e que no fim, te levou de mim.
“ – Já fazem 13 anos, querido. “ O vento bagunçou os fios do meu cabelo que estavam tão bem arrumados. A neve caía sobre o branco em minha cabeça e minha roupa, deixando a marca do seu toque com a umidade. “ - Amanhã é meu aniversário. Você disse que me veria fazendo 85 anos. Lembra do seu plano? “ Eu pude sentir o calor do risco que se desenhou em minha face, desde meu olho até que já não estivesse ali. “ – Eu te amo… “ E o vento assoviou mais forte, bagunçando as pétalas tão delicadas das rosas brancas e vermelhas que eu deixei descansar sobre aquela camada de terra que cobria seu corpo.
Eu sentia saudades de um tempo passado, que não voltaria mais.
Add comment 12 12UTC Outubro 12UTC 2009
brincar de sonhar
Vou pintar a realidade de azul.
Torná-la um sonho e brincar de faz-de-conta.
Vou sorrir e cantar.
Os raios de sol dançarão no meu ritmo.
O vento me acompanhará.
Vou enxergar tudo com os olhos fechados.
E tudo o que haverá para sentir, vai tocar minha pele da forma como imaginei.
Vou brincar de sonhar.
1 comment 26 26UTC Setembro 26UTC 2009
vazio
when you’re feeling empty
keep me in your memory
leave out all the rest
leave out all the rest
( Leave out all the rest – Linkin Park )
Às vezes, sinto determinadas “coisas” que palavras não descrevem. Dá pra ver, pelo fato de eu chamar isso de coisas, apesar de que eu poderia simplesmente denominá-las como sentimentos. Contudo, sentimentos possuem nomes e explicações. Até mesmo amor tem explicação. Eu sei, eu sei, quem estiver apaixonado ou amando, vale lembrar que são pensamentos, vontades e sentimentos diferentes, vai discordar do que eu disse, mas eu volto a afirmar: “Até mesmo amor tem explicação.” Só se acha que não consegue dizer como é estar apaixonado, como é olhar para alguém e deixar os olhos brilharem, o coração pular, palpitar, se manifestar de todas as diferentes e possíveis formas e velocidades numa transição incrível. Vamos refletir, se o amor não pudesse ser descrito, o que significa os montes de poemas, poesias e cartas de amor? Sinto que quase estou mudando de assunto… Sinto também que vai ter gente que vai querer discutir esse assunto comigo e estou aberta a conversas sobre tal. Meu foco aqui, nestas palavras, era outro. Essa minha sensação é única, o que não significa que seja um ponto positivo. Talvez o mais próximo do que eu sinta seja um certo vazio. Eu imagino que se um profissional de psicologia lesse isso daqui, tentaria conversar comigo e fazer com que eu dissesse de alguma forma os motivos de eu me sentir assim. Provavelmente não seria de maneira direta, ele me forçaria sem que eu percebesse, já que esse bando de gente acha que o fato de eu ter piscado uma vez mais rápido e as outras mais devagar, significa que tenho um novo distúrbio sentimental realístico extra social sei-lá-mais-o-quê. Quer saber? Tem coisas que acabam me irritando de repente… vai se acostumando… Nem vou continuar… ‘-’
Add comment 25 25UTC Setembro 25UTC 2009
outra chance
- Ah, sim, é… Oi, tudo bem? Então, o que eu queria era…
(…)
(…)
(…)
(…)
(…)
(…)
(…)
(…)
(…)
- … Er, posso começar de novo?
1 comment 22 22UTC Setembro 22UTC 2009
disposto?
Busquei conforto em teus braços, busquei palavras em tua boca, busquei sentimentos em teu coração. Esperei.
Te contei sobre meus sonhos, te contei sobre minha história, te contei sobre minha partida, te contei como te amei, extrai tudo de mim e entreguei aos seus ouvidos. Esperei.
Não existi para você, não fiz parte de nenhum de seus sonhos ou conversas, não fui nada além de uma vírgula. Poderia, pelo menos, ter sido o homem que eu via em você e ter me dito antes. Melhor que você seja o homem, que não foi para mim, para a próxima. Melhor aprender a ser um homem de verdade. Ou a vida tratará de você, ela cuidará para que cada lágrima derramada por você, seja um rio a sua frente.
Ou você navega, ou você beberá desse rio, cada gota.
Disposto?
Add comment 20 20UTC Setembro 20UTC 2009